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O pasto voltou a verdejar: quando aumentar a lotação depois da seca?

Depois de um período de seca, as primeiras chuvas provocam uma mudança rápida na paisagem. O solo começa a recuperar a umidade, novas folhas aparecem e a pastagem volta a apresentar coloração verde.

Para o produtor, esses são sinais importantes de que a planta está retomando o crescimento. Entretanto, o surgimento das primeiras folhas não significa que o pasto já recuperou sua capacidade de suporte.

A planta ainda precisa de tempo para formar novas folhas, acumular biomassa e recompor uma estrutura capaz de sustentar o pastejo. Por isso, aumentar a lotação logo após as primeiras chuvas pode colocar pressão excessiva sobre uma pastagem que ainda está em recuperação.

Antes de colocar mais animais na área, é necessário observar se a produção de forragem já consegue acompanhar a demanda do rebanho.


O que acontece com o pasto durante a seca?

Durante a seca, a menor disponibilidade de água limita o crescimento das plantas forrageiras. Como consequência, a produção de folhas diminui, a oferta de alimento é reduzida e a capacidade de suporte da pastagem também é afetada.

Quando as chuvas retornam, a planta começa a responder à melhora das condições ambientais. Porém, existe uma diferença entre voltar a produzir folhas e ter forragem suficiente para suportar uma maior pressão de pastejo.

Essa diferença é importante porque a recuperação visual da área acontece mais rápido do que a recomposição da massa de forragem.

Por isso, o produtor não deve tomar a decisão de aumentar a lotação apenas com base na mudança de cor do pasto.

Pasto verde significa pasto recuperado?

Nem sempre.

Depois das primeiras chuvas, as plantas começam a emitir novas folhas e a paisagem pode mudar rapidamente. Visualmente, a área parece recuperada.

Mas o início da rebrota representa apenas uma etapa do processo.

Nesse momento, a planta ainda está direcionando recursos para retomar o crescimento e formar uma nova estrutura. Se as folhas recém-formadas forem consumidas antes que a pastagem acumule forragem suficiente, a recuperação pode ser prejudicada.


Por isso, é importante diferenciar início da rebrota de recuperação da capacidade de suporte.

A cor verde é um indicador visual, mas não deve ser o único critério utilizado para decidir quando aumentar a lotação.

Quando aumentar a lotação depois da seca?

Não existe uma data fixa para aumentar a quantidade de animais depois de um período de seca.

A decisão depende das condições da área, do desenvolvimento da pastagem, da disponibilidade de forragem e da capacidade de crescimento das plantas.

Antes de aumentar a lotação, o produtor deve acompanhar alguns indicadores.

1. Quantidade de forragem disponível.

O primeiro ponto é verificar se existe massa de forragem suficiente para atender à demanda do rebanho.

Não basta observar a presença de folhas verdes. É necessário avaliar quanto de forragem foi efetivamente acumulado desde o retorno das chuvas.

Quando a oferta aumenta de forma consistente, a pastagem passa a ter maior capacidade de sustentar o consumo dos animais. Se a produção ainda estiver baixa, aumentar a lotação pode fazer com que o consumo supere a capacidade de crescimento da área.

2. Distribuição da rebrota.

A emissão de folhas mostra que as plantas retomaram o crescimento. Porém, também é importante observar como essa rebrota está distribuída na área.

Poucas folhas verdes espalhadas pelo pasto representam uma situação diferente de uma área com crescimento uniforme e maior volume de forragem.

Por isso, o produtor deve observar a condição da pastagem como um todo, e não apenas alguns pontos que apresentem maior desenvolvimento.

3. Altura e estrutura da pastagem.

A altura e a estrutura do pasto também ajudam a acompanhar sua recuperação.

Esses indicadores permitem observar o desenvolvimento da forrageira e orientar o manejo do pastejo. Entretanto, os parâmetros precisam ser adequados ao material utilizado e ao sistema de produção.

Não existe uma única altura que possa ser aplicada como regra para todas as pastagens.

Nos híbridos da Papalotla, por exemplo, os materiais possuem recomendações de manejo próprias. Tanto CAMELLO® quanto CAYMAN® apresentam indicação de entrada entre 30 e 40 cm e saída entre 15 e 20 cm.
Isso reforça a importância de conhecer as características da forrageira utilizada antes de estabelecer os critérios de manejo.

4. Velocidade de crescimento

Outro indicador importante é observar se a pastagem está realmente acumulando forragem.

Uma área pode estar verde e ainda apresentar crescimento insuficiente para acompanhar o consumo dos animais. Nesse caso, aumentar a lotação pode acelerar a retirada de folhas e dificultar a recuperação da planta.

Por isso, o produtor precisa observar a evolução da pastagem ao longo dos dias, verificando se o crescimento está avançando de maneira consistente.

Leia também: Vazio forrageiro de primavera: como planejar a transição das pastagens

Como a genética contribui para a recuperação após a seca

O ambiente exerce grande influência sobre o desenvolvimento da pastagem. Água, solo, temperatura e manejo interferem diretamente na capacidade de produção da área.

Mas a genética escolhida também importa.

Os híbridos da Papalotla são desenvolvidos com características diferentes justamente para atender a condições e desafios distintos de produção. Isso significa que a escolha do material precisa considerar o ambiente onde ele será implantado e o objetivo do sistema.

Um exemplo é o CAMELLO®, desenvolvido para situações em que a tolerância à seca é uma característica importante. O material apresenta sistema radicular profundo e vigoroso, formação precoce e rápida rebrota após o pastejo, além de manter qualidade nutricional durante a estação seca.

Em seu One Page, o CAMELLO® apresenta potencial produtivo de 33 t de MS/ha/ano em ambiente de seca, com digestibilidade de até 68% e proteína bruta de até 16%.

Já em ambientes com maior umidade ou problemas relacionados à drenagem do solo, o desafio é diferente. É nesse cenário que características de adaptação ganham importância.

O CAYMAN®, por exemplo, é um híbrido de braquiária desenvolvido para condições de solos úmidos e encharcados. O material apresenta tolerância a solos mal drenados, alta emissão de estolões e rápida cobertura do solo.

O One Page do CAYMAN® também apresenta potencial produtivo de 39 t de MS/ha/ano, digestibilidade de até 70% e proteína bruta de até 18%, dentro das condições avaliadas.

Os exemplos mostram por que a escolha da genética não deve ser feita apenas pensando em produtividade. O ambiente e o desafio da propriedade também precisam entrar nessa decisão.

Um material desenvolvido para maior tolerância à seca atende a uma necessidade diferente daquele escolhido para uma área sujeita ao excesso de umidade.

Por que aumentar a lotação cedo demais após a seca é um risco?

Imagine uma propriedade que passou meses com baixa produção de forragem. Depois das primeiras chuvas, novas folhas aparecem e o produtor decide colocar mais animais na área.

Se a lotação aumentar antes da recuperação da massa de forragem, a demanda poderá superar a oferta.

Os animais passam a consumir rapidamente as folhas disponíveis. Com menor área foliar, a planta pode ter mais dificuldade para continuar acumulando biomassa e recompor a estrutura da pastagem.

Assim, uma decisão tomada cedo demais pode prolongar o período de recuperação e provocar uma nova redução na oferta de alimento.

A lógica é simples:

o pasto precisa recuperar sua capacidade de produção antes que a lotação seja aumentada.

Como retomar o pastejo após a seca?

A retomada deve ser orientada pela evolução da pastagem, e não apenas pelo calendário ou pela ocorrência das primeiras chuvas.

O processo pode ser acompanhado em quatro etapas:

  1. Observar o retorno das chuvas e o início da rebrota;
  2. Acompanhar a formação e a distribuição das novas folhas;
  3. Avaliar a quantidade e a estrutura da forragem disponível;
  4. Ajustar a lotação conforme a capacidade de produção da área aumenta.

Essa sequência ajuda a evitar que o início da recuperação seja acompanhado por uma pressão de pastejo maior do que a pastagem consegue suportar.

Genética, ambiente e manejo na recuperação após a seca.

A recuperação depois da seca não depende de um único fator.

O ambiente determina as condições para o desenvolvimento das plantas, o manejo define como a forragem será utilizada e a genética influencia a capacidade do material de responder às condições encontradas na propriedade.

Por isso, não existe uma única solução para todos os ambientes.

A proposta dos híbridos da Papalotla parte justamente dessa diversidade. Materiais diferentes apresentam características direcionadas a diferentes desafios produtivos. O CAMELLO®, por exemplo, possui características associadas à tolerância à seca, enquanto o CAYMAN® apresenta características de adaptabilidade a solos úmidos e mal drenados.
A escolha correta, portanto, começa pela identificação das condições da área e do objetivo do sistema.

Após a seca, primeiro o pasto se recupera e depois a lotação aumenta.

A volta das chuvas representa um momento importante para a pecuária. Porém, as primeiras folhas verdes mostram apenas que a pastagem começou a reagir.

Antes de aumentar a lotação depois da seca, o produtor deve avaliar a quantidade de forragem disponível, a distribuição da rebrota, a estrutura do pasto e a velocidade de crescimento.

Também é importante considerar se a genética utilizada está adequada às condições do ambiente.

A regra é simples: primeiro a pastagem recupera sua capacidade de produção. Depois, a lotação acompanha esse crescimento.

Com genética adequada, ambiente favorável e manejo correto, o produtor consegue tomar decisões mais seguras sobre a utilização da pastagem e reduzir o risco de sobrepastejo justamente no momento em que a área está retomando seu desenvolvimento.

Quer saber mais sobre os híbridos da Papalotla e entender qual material pode fazer sentido para as condições da sua propriedade? Continue acompanhando o blog da Papalotla Sementes.

ilustração pasto verde

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