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Do pasto convencional ao híbrido: quais indicadores realmente podem mudar?

A escolha de híbridos de braquiária pode influenciar indicadores como produção de forragem, qualidade nutricional, capacidade de suporte e produção animal por hectare. Porém, esse potencial depende de implantação adequada, fertilidade do solo, ambiente e manejo correto da pastagem.

Além disso, a genética é apenas uma parte do sistema produtivo. Para que uma pastagem expresse seu potencial, fatores como implantação adequada, fertilidade do solo, condições ambientais, disponibilidade de água e manejo também precisam estar alinhados.

Por isso, mais importante do que perguntar se um híbrido é melhor que outro material é entender quais indicadores podem mudar quando a genética encontra condições adequadas para expressar seu potencial.

Produção de forragem: um dos primeiros indicadores da pastagem.

A produção de matéria seca por hectare é um dos primeiros indicadores utilizados para avaliar o desempenho de uma pastagem.


Nesse sentido, na Fazenda Recanto, em Ribas do Rio Pardo (MS), a avaliação comparou Camello®, Mestizo Blend® e Marandu após plantio realizado em 11 de dezembro de 2024.

Os resultados de matéria seca foram:

  • Camello®: 5.048 kg MS/ha
  • Mestizo Blend®: 3.455 kg MS/ha
  • Marandu: 2.900 kg MS/ha

Naquela condição de avaliação, o Camello® apresentou produção de matéria seca cerca de 74% superior à testemunha.

Para o produtor, maior produção de matéria seca representa maior quantidade potencial de alimento disponível por hectare.

Entretando, produzir mais forragem não significa automaticamente produzir mais carne ou leite. Isso porque o resultado também depende da qualidade do pasto, do consumo pelos animais, da lotação e do manejo adotado.

Qualidade da forragem também influencia a produtividade.

Além da quantidade produzida, é fundamental avaliar a qualidade nutricional da pastagem.

Por exemplo, na mesma avaliação realizada na Fazenda Recanto, os resultados de proteína bruta foram:

  • Camello®: 11,1%
  • Mestizo Blend®: 9,7%
  • Marandu: 8,8%

Já na digestibilidade, a avaliação registrou:


  • Camello®: 81%
  • Mestizo Blend®: 78%
  • Marandu: 75%

Dessa forma, esses dados mostram por que o volume visual do pasto não deve ser o único critério de avaliação.

Enquanto a produção de matéria seca indica quanto a área produziu, fatores como proteína, digestibilidade e estrutura do pasto ajudam a entender quanto dessa produção pode ser efetivamente aproveitada pelos animais.

Por isso, quantidade e qualidade precisam ser analisadas em conjunto.

Capacidade de suporte: quantos animais a área pode sustentar?

Além da produção e da qualidade do pasto, outro indicador importante da produtividade da pastagem é a capacidade de suporte, ou seja, a quantidade de animais que uma determinada área consegue sustentar dentro de condições adequadas de manejo.

Na Fazenda Recanto, a avaliação registrou:

  • Camello®: 8,1 UA/ha
  • Mestizo Blend®: 6,5 UA/ha
  • Marandu: 4,7 UA/ha

Esses números representam as condições específicas da avaliação e, portanto, não devem ser interpretados como resultados fixos para todas as propriedades.

Ainda assim, os dados ajudam a demonstrar como uma pastagem com boa produção de forragem, qualidade nutricional e estrutura adequada pode contribuir para ampliar a capacidade de suporte da área.

Nesse sentido, fatores como fertilidade do solo, disponibilidade hídrica, adubação, categoria animal e altura de manejo precisam ser considerados.

Produção animal por hectare mostra o resultado do sistema.

Leia mais: Planejamento de safra: por que os resultados da próxima estação começam agora?

Além dos indicadores do pasto, a produtividade da pecuária não deve ser analisada apenas pelo desempenho individual dos animais.

Um animal pode apresentar bom desempenho e, ainda assim, a produtividade total da área ser limitada por uma baixa capacidade de suporte.

Por isso, a produção animal por hectare é um indicador importante para avaliar a eficiência do sistema

Como exemplo, na Fazenda Bella Napoli, em Bela Vista de Goiás (GO), o Camello® foi comparado ao Tifton 85 durante oito meses.

A taxa de lotação registrada foi de:

  • Camello®: 4,5 UA/ha
  • Tifton 85: 1,5 UA/ha

Além disso, a produção média de leite por vaca também foi 12% superior no Camello®.

Quando a análise considera o desempenho individual e a capacidade de suporte em conjunto, a produção acumulada apresentada foi de:

  • Camello®: 10.811 litros/ha
  • Tifton 85: 3.616 litros/ha

Da mesma forma, outro resultado do programa Avalia+, na Fazenda Nossa Senhora de Fátima, em Juruena (MT), reforça essa relação.

Com a mesma adubação e manejo recomendado, o Cayman® manteve 6 animais/ha e 36,2 litros/ha/dia, enquanto a área com Zuri registrou 4 animais/ha e 25,6 litros/ha/dia.

Portanto, a produtividade por hectare, portanto, resulta da combinação entre desempenho individual e capacidade de suporte da pastagem.

Híbridos de braquiária precisam ser escolhidos para cada ambiente.

Apesar desses resultados, não basta trocar o material utilizado na área.

Antes de tudo, a escolha de um híbrido deve considerar solo, clima tropical, objetivo produtivo e manejo da propriedade.

Por isso, a tecnologia da Papalotla Sementes trabalha com híbridos desenvolvidos para diferentes condições:

  • Camello®: alta tolerância à seca, formação precoce e rápida rebrota.
  • Cayman®: desenvolvido para áreas com tendência ao encharcamento.
  • Mestizo Blend®: opção também direcionada para Integração Lavoura-Pecuária.
  • Cobra®: voltado a sistemas de corte, como feno, silagem e pré-secado.

Cada material possui características próprias. Dessa forma, o produtor deve alinhar a escolha às condições reais da fazenda.

Antes de comparar o preço da semente, compare os indicadores

O preço da semente é importante, mas não deve ser analisado isoladamente.

Antes de definir a forrageira, vale avaliar:

  • produção de matéria seca por hectare;
  • qualidade nutricional;
  • digestibilidade;
  • capacidade de suporte;
  • velocidade de rebrota;
  • adaptação ao ambiente;
  • desempenho nos períodos críticos;
  • produção animal por hectare;
  • persistência;
  • exigência de manejo.

A pergunta deixa de ser apenas “qual semente custa menos?”.

O produtor passa a avaliar qual tecnologia faz mais sentido para seu ambiente, manejo e objetivo produtivo.

O que realmente pode mudar com a genética?

Os híbridos de braquiária não substituem correção do solo, adubação, boa implantação ou manejo adequado.

Quando a genética é corretamente escolhida e encontra condições para expressar seu potencial, porém, podem mudar indicadores importantes da fazenda, como produção de forragem, qualidade nutricional, capacidade de suporte e produtividade animal por hectare.

Por isso, a decisão deve olhar para o sistema como um todo.

É a combinação entre genética, ambiente e manejo que ajuda a transformar sementes de pastagem em maior eficiência e produtividade no campo.

Continue acompanhando o blog da Papalotla Sementes para conhecer resultados de campo, tecnologias em híbridos de braquiária e informações técnicas para uma pecuária mais eficiente e sustentável.

Leia também: Veranico na pecuária: Como reduzir os impactos da seca nas pastagens.

Implantação de pastagens: Como preparar a área antes das primeiras chuvas.

Pastagem em áreas de baixada: como evitar perda de produtividade no período chuvoso?

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