Home > Blog > Pastejo ultradenso: o que é, como funciona e o que considerar antes de adotar?

Pastejo ultradenso: o que é, como funciona e o que considerar antes de adotar?

O desenvolvimento do pastejo ultradenso está diretamente ligado à evolução dos conceitos de manejo de pastagens. A base dessa abordagem vem do manejo holístico proposto por Allan Savory, que trouxe uma visão integrada entre solo, planta, animal e ambiente. A partir desses princípios, Johann Zietsman avançou na aplicação prática, estruturando o uso de alta densidade animal e tempos curtos de ocupação como estratégia produtiva. 

Quem é Fred Nunes?

No Brasil, a técnica vem sendo difundida e adaptada por profissionais como Fred Nunes, especialista da 3F Consultoria Pecuária que atua na aplicação desses conceitos em larga escala, com o propósito de levar esse modelo ao maior número possível de produtores e contribuir para uma pecuária mais produtiva, eficiente e conectada com a evolução do campo.

Como funciona o pastejo ultradenso na prática?

A técnica utiliza cercas móveis, geralmente eletrificadas, para dividir a área em faixas de pastejo. O gado entra, ocupa pouca área por pouco tempo, sendo movido para a faixa seguinte ao atingir a altura de saída adequada para a forrageira.

De acordo com Fred Nunes, enquanto no rotacionado tradicional os animais ficam de dois a quatro dias por piquete:


“No pastejo de alta densidade, especialmente na modalidade ultradenso, o tempo de ocupação é significativamente menor, muitas vezes medido em horas.” 

Em sistemas ultradensos, pode haver quatro a cinco trocas de faixa por dia ou mais.

O resultado é uma combinação de:

  • Deposição de fezes e urina sobre o solo de maneira mais homogênea.
  • Pisoteio que incorpora resíduos vegetais.
  • Cobertura do solo com palhada de capim pisoteado.
  • Aceleração da ciclagem de nutrientes.

Leia Mais: Pesquisa e manejo de pastagens: por que o estudo contínuo define o desempenho do pasto?

Vantagens do pastejo ultradenso

Construção e recuperação do solo

O volume de matéria orgânica depositado estimula a atividade biológica do solo. Isso torna a técnica especialmente útil em áreas degradadas ou em projetos de pecuária regenerativa.

Cobertura e proteção do solo

O capim pisoteado e não consumido vira palhada, reduzindo a evaporação da umidade e a erosão superficial. Em regiões de clima irregular, esse efeito pode ser relevante para a manutenção da pastagem.

Ciclagem acelerada de nutrientes


Os nutrientes retornam rapidamente ao sistema via fezes e urina. Em situações de bom manejo, isso pode reduzir a dependência de adubações externas ao longo do tempo.

Potencial aumento de lotação no longo prazo

Com a melhora da fertilidade do solo, a produção forrageira tende a crescer, o que pode viabilizar mais animais por área.

Desvantagens e riscos que o produtor precisa conhecer

Alta margem de erro

O tempo de ocupação precisa ser rigorosamente controlado. Um erro no manejo pode destruir a pastagem por superpastejo/superpisoteio, comprometendo a rebrota.

Menor desempenho individual dos animais

Com pouca seletividade no consumo, o ganho por animal tende a cair. Em compensação Fred Nunes aponta que esse efeito é similar ao do rotacionado, mas mais intenso no ultradenso. Por outro lado, há maior produção por área com maior carga animal.

Exige leitura constante do pasto

Não existe uma “receita pronta”. O manejo deve ser ajustado ao clima, ao tipo de solo e à espécie forrageira da propriedade, atendendo corretamente o momento ideal de entrada e saída dos animais.

Planejamento operacional complexo

A movimentação frequente de animais e cercas exige infraestrutura adequada e organização de campo apurada, com profissionais capacitados e à disposição do sistema

Pastejo ultradenso vale a pena para a sua propriedade?

A técnica tem potencial real para melhorar a saúde do solo e apoiar sistemas de pecuária mais sustentáveis. Porém, não é indicada para qualquer cenário ou produtor.

Antes de adotar, avalie o nível de infraestrutura disponível, a capacidade de gestão da propriedade e os objetivos de médio e longo prazo com a pastagem. Além de falar com um especialista em manejo!

Conheça as soluções Papalotla Sementes para pastagens de alto desempenho!

A Papalotla Sementes oferece híbridos de braquiária desenvolvidos para resistir ao manejo intensivo e entregar produtividade consistente ao longo do ano. Fale com nosso time técnico e encontre o híbrido certo para o seu sistema de produção e necessidade da sua área.

ilustração pasto verde

Compartilhe

Assuntos

Receba novidades

Posts mais acessados

Quer transformar seus resultados no campo?

Cadastre-se para receber conteúdos exclusivos do blog da Papalotla Sementes!
Fique por dentro de dicas técnicas, novidades e soluções para potencializar sua produção.