O monitoramento da cigarrinha deve começar junto com as primeiras chuvas, porque é nessa fase que a praga volta a aparecer no pasto. Na prática, isso significa percorrer a área com frequência, procurar ninfas na base das touceiras e adultos nas folhas e agir cedo, antes que o ataque reduza a produção de forragem. Além disso, o manejo da altura do pasto e a escolha de capins tolerantes ajudam a manter a pressão da praga sob controle.
As cigarrinhas-das-pastagens estão entre as principais pragas das pastagens no Brasil. Elas sugam a seiva do capim, reduzem o crescimento e, em ataques severos, podem levar plantas à morte. Por isso, o tema volta a ganhar importância a cada início de estação chuvosa.
Por que o monitoramento da cigarrinha começa com as águas?
Com a volta da chuva e do calor, os ovos que passaram a seca no solo voltam a eclodir. Em seguida, surgem as primeiras ninfas e, depois, os adultos. Como o ciclo é curto, uma população pequena pode crescer rápido ao longo da estação.
De acordo com o material técnico da Papalotla, o ciclo de vida da cigarrinha tem três fases:
| Fase | Duração |
|---|---|
| Ovo | 10 a 15 dias |
| Ninfa | em média 30 dias |
| Adulto | 10 a 15 dias (machos) e 15 dias (fêmeas) |
Assim, acompanhar a área desde as primeiras semanas de chuva permite identificar a praga ainda nas fases iniciais.
Onde procurar ninfas e adultos no pasto?
- Ninfas: ficam nas raízes ou na base dos perfilhos.
- Adultos: vivem nas folhas do capim e saltam quando o pasto é movimentado.
- Pontos de amostragem: percorra a área em vários pontos, e não só nas bordas. Além disso, anote o que encontrou em cada piquete para comparar a evolução ao longo das semanas.
Quais sinais indicam ataque no pasto?
Primeiro, o capim perde vigor e cresce menos. Em seguida, as folhas começam a amarelar e secar, principalmente nas reboleiras mais atacadas. Com o tempo, a oferta de forragem cai e a capacidade de suporte da área diminui. Em infestações severas, as plantas podem morrer, o que abre espaço para a degradação do pasto.
Como o manejo ajuda no controle?
- Controle cultural: ajuste a altura do pasto e a lotação para evitar tanto a sobra de capim quanto o superpastejo.
- Controle biológico: bioinseticidas à base do fungo Metarhizium anisopliae, conhecido como fungo verde, atuam contra a praga.
- Controle químico: quando necessário, use apenas produtos registrados, sempre com recomendação de um agrônomo.
- Capins tolerantes: a escolha do capim também faz parte da estratégia, como mostra o próximo tópico.
Além disso, sementes registradas e de procedência confiável reduzem o risco de levar pragas para a área já no plantio.
Qual é o papel dos híbridos tolerantes à cigarrinha?
Na ficha técnica da Papalotla, os cinco híbridos – CAMELLO®, CAYMAN®, MESTIZO BLEND®, OKAPI® e COBRA® – aparecem com tolerância alta à cigarrinha. Isso ajuda o pasto a suportar a pressão da praga. No entanto, tolerância não impede a presença do inseto. Por isso, o monitoramento continua necessário, mesmo em áreas formadas com híbridos tolerantes.
Em resumo, o monitoramento da cigarrinha precisa acompanhar o início das águas. Quanto antes o produtor identificar ninfas e adultos, mais opções de manejo ele terá. Portanto, combine vistorias frequentes, ajuste de altura e lotação e capins tolerantes para proteger a produção de forragem ao longo da estação.
Para saber mais sobre as espécies e o ciclo da praga, leia também o nosso post sobre cigarrinhas das pastagens.
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