Por Sarah Hoppen Wagner, PhD em Zootecnia e Coordenadora de Dados e Inovação na Papalotla Sementes
Quando comecei minha trajetória na zootecnia, uma coisa ficou clara desde cedo: o pasto não mente. Ele responde diretamente ao que foi planejado, pesquisado e aplicado no campo.
Por isso, o manejo de pastagens de qualidade começa muito antes da entrada dos animais — começa no laboratório, na análise de dados e na compreensão dos processos fisiológicos que governam cada forrageira.
O que a fisiologia da planta nos diz sobre manejo?
Uma gramínea bem estabelecida direciona sua energia para a formação de novos perfilhos, o desenvolvimento radicular e a emissão de novas folhas. Tudo isso depende de um equilíbrio entre deposição e mobilização de fotoassimilados, carboidratos e minerais armazenados na base dos perfilhos, nos estolões e nas raízes.
Quando o pasto é pastejado ou cortado, a planta mobiliza essas reservas para rebrotar. Ela depende desse estoque até ter folhas maduras em quantidade suficiente para se tornar autossuficiente novamente. Entender esse ciclo não é detalhe. É o que separa um manejo que mantém a pastagem produtiva por muitos anos de outro que leva à degradação precoce.
Superpastejo e frequência de corte: onde o equilíbrio se rompe.
O primeiro erro crítico é manter o resíduo abaixo de 15 cm, caracterizando o superpastejo. O segundo é antecipar a entrada dos animais, sem que a planta tenha reposto suas reservas. Quando esses erros se repetem, a degradação da pastagem deixa de ser um risco e passa a ser uma consequência.
Cada espécie de pasto apresenta uma relação específica entre fonte e dreno. Por isso, as alturas de manejo variam entre espécies e até entre cultivares de uma mesma espécie. Não existe uma regra universal. O que existe é o estudo aplicado ao contexto de cada cultivar.
Leia mais: O que é degradação de pastagens e como híbridos de braquiária ajudam na recuperação!
Qualidade nutricional e o ponto ótimo de pastejo.
Outro ponto que norteia meu trabalho é a relação entre estágio vegetativo e valor nutricional. Plantas em fase vegetativa são ricas em proteína e altamente digestíveis. Ao entrar em florescimento, o componente reduz a digestibilidade da forragem.
A lignina não é digerida pela microbiota ruminal e ainda reduz a disponibilidade da celulose, principal fonte de energia dos animais. O resultado é a queda na digestibilidade e no desempenho do rebanho.
O ponto ótimo de pastejo está no equilíbrio entre alta produção e qualidade nutricional. Identificá-lo exige monitoramento do desenvolvimento do pasto aliado à análise nutricional.
Como o CAYMAN® e o CAMELLO® expressam essa ciência no campo?
É nesse contexto que híbridos como o CAYMAN® e o CAMELLO® traduzem a ciência em resultados práticos no campo. O CAYMAN®, por exemplo, é um híbrido de ciclo mais longo, que pode levar até 80 dias para entrar em estágio reprodutivo.
Porém, seu dossel entra em equilíbrio de produção antes disso, o que significa que o material deixa de “ganhar” e passa a “manter”. Isso exige atenção ao momento correto de pastejo para não comprometer a produtividade.
Já o CAMELLO® foi desenvolvido para regiões de clima mais seco, com excelente capacidade de rebrote e adaptação a condições de estresse hídrico.
Por ser um material muito precoce e associado a cenários de estresse hídrico, o manejo de pastejo deve ser ainda mais criterioso. Ambos são resultado de programas de pesquisa e desenvolvimento que consideram essa complexidade fisiológica.
Pesquisa é o alicerce do manejo sustentável de pastagens
Pastagem produtiva e perene não é resultado de sorte nem de intuição. É consequência de pesquisa, observação de campo e aplicação consistente de boas práticas.
Cada variável, seja fertilidade, regime de chuvas, fotoperíodo ou espécie forrageira, pode contribuir para uma pastagem saudável ou acelerar sua degradação. O papel da ciência é reduzir essa incerteza e entregar ao produtor ferramentas concretas para tomar a melhor decisão.
Conheça o portfólio da Papalotla e coloque a ciência para trabalhar na sua propriedade
O que desenvolvemos vai além da semente. É conhecimento aplicado, testado e disponível para o produtor. Acesse o site da Papalotla Sementes, explore nosso portfólio e conte com suporte técnico especializado para cada etapa do manejo!





